30 de agosto de 2011

O silêncio

Se disse-se a alguém que acho o silêncio algo ensurdecedor, talvez diriam que sou maluco. Talvez para eles mas para mim não. O silêncio absorve-me por completo, envolve-me de uma maneira que sinto que estou preso, quase asfixiado, abraçado pelo silêncio. Um silêncio que não diz nada, não comunica, não cria diálogo mas faz-nos pensar, por vezes até mais do que quando estamos com outras pessoas. O silêncio obriga à reclusão, ao pensamento, à reflexão, normalmente uma reflexão interior mais profunda que o normal dos pensamentos. O silêncio é intimidatório, um pouco sinistro até, pois nestes momentos de silêncio o que reina é o nada com o todo, o nada que é o silêncio e o todo que são as nossas reflexões. O silêncio permite pensar no pormenor das coisas e elevá-las a pensamentos mais estruturados e elaborados, permite-nos fazer analepses do que já fomos e do que queremos ser, permite-nos evoluir no patamar da sabedoria. O silêncio é uma arma poderosa, mas que tem de ser controlado, pois este também tem o seu lado tenebroso e sombrio, pois quando vivemos em silêncio, mesmo que por breves momentos, o limbo entre a sanidade e a insanidade é muito curto, o importante durante um período de silêncio é não deixarmos o nosso cérebro em silêncio, pois já basta o próprio silêncio que nos rodeia e nos consome. Não é fácil controlar a mente nestes momentos de silêncio, pois temos muita informação na nossa cabeça que fica à deriva nestes momentos e que é importante que rapidamente seja estruturada para então passarmos à reflexão. Eu gosto de reflectir, pois é assim que entendo e compreendo o verdadeiro “eu”, quem sou e o que quero ser, o que posso mudar e devo manter sendo que o objectivo é sempre melhorar. Só com o silêncio é que consigo realmente abstrair-me do mundo barulhento em que vivemos e que obriga a nossa mente a retrair-se, a fechar-se sobre si mesma, impedindo que se explore toda a capacidade da reflexão. A reflexão leva ao auto-conhecimento e se nos conhecermos bem podemos mudar o que está mal. Mas por vezes até o silêncio é escasso, as pessoas não procuram o silêncio, fogem dele, quando por vezes sentem que necessitam de estar sozinhas em silêncio, dizem elas, refugiam-se na televisão. Este não é o silêncio “puro”, existe muito ruído para a mente, muita informação. Para se obter o verdadeiro silêncio é necessário que nós próprios nos fechemos ao mundo exterior e abramos o nosso interior ao silêncio que habita dentro de nós e que devemos explorar.