30 de agosto de 2011

A leitura

Sento-me, leio, escuto para pensar, deixo as palavras que leio entrar no meu cérebro, deixo as palavras a vaguear na minha mente à espera que estas façam algum sentido. Digo isto porque a leitura não pode ser rudimentar, é um raro momento de sabedoria, de aprendizagem, de conhecimento, por isso o contacto com as palavras deve ser apreciado, deve ser demorado, sem pressas. A leitura deve ser feita com prazer, só assim as palavras que entram farão sentido e só assim vão permanecer nos nossos pensamentos. Uma leitura apreciada deixa sempre um rasto, uma mensagem que iremos tentar descodificar mais tarde quando permanecermos em silêncio. A leitura é importante porque preenche não só um vazio de tempo mas também um vazio de saber, um vazio interior que todos necessitamos de preencher. Se pensarmos nas ocasiões em que lemos percebemos que sempre que nos dedicamos à leitura estas acontecem em momentos de vazio de tempo ou pelo menos nestes momentos, mesmo que estejamos acompanhados quando lemos torna-se um momento só nosso, dedicado a nós, sem interferências do mundo exterior. O que tem de bom a leitura é que esta possibilita que abandonemos este mundo em que vivemos e extrapolar a realidade imaginária. Todos necessitamos de viver uma realidade que não é nossa, pois permite-nos sonhar, fugir da verdade que nos assola todos os dias. A leitura permite-nos ser quem queremos, permite-nos visitar mentalmente todos os lugares do imaginário.

A descoberta

Há já algum tempo que a minha perspectiva da vida tem vindo a mudar. Isto deve-se às circunstâncias da vida que me fazem indagar sobre o meu interior, sobre quem sou eu, numa descoberta incessante de perceber o que faço na terra e o que será da minha pessoa nos anos vindouros. Neste momento o que pretendo da vida é apenas o de viver o dia-a-dia, o momento presente mas sempre com o olhar no dia de amanhã. Tenho lido muito, um pouco de tudo, mas sobretudo tento explorar novas temáticas que me façam reflectir sobre a minha existência. Tento descobrir um pouco mais sobre as energias do corpo e da mente. Capacidade que acho que todos temos mas que a maioria não procura desenvolver ou compreender. Várias vezes acordo com muita energia ou por vezes sinto-me enfraquecido. Esta energia que sinto existir mas que em certas alturas está adormecida. É necessária então uma mentalização interior para descobrir essa energia e potencia-la para o exterior. Tenho vindo a interessar-me pela cultura oriental que dá muito valor à questão das energias e que fazem uso dela no seu quotidiano como forma de desenvolvimento interior e auto-conhecimento. Já tive experiências fantásticas de sensações de energias. São sensações de calor, de euforia e bem-estar. Um estado efusivo que me contagia num todo. Uma sensação de controlo mesmo que temporário. Toda esta energia deve ser canalizada para a parte mental, pois esta controla todo o resto. È uma energia que começa nos pés e sobe até à cabeça. Quase que me sinto a levitar tal a sensação de leveza de espírito que sinto nestes momentos. É uma energia adormecida que acredito que permanece no meu interior mas que necessito descobrir como a despoletar mais vezes em situações de enfraquecimento. Mas este conhecimento faz parte da minha descoberta interior, a procura do meu “eu” que sinto que ainda não encontrei. Há uma sensação de vazio que ainda não preenchi mas que continuo a procurar. Um caminho de descoberta que tenho de percorrer com o intuito de melhorar todos os dias. É esta procura por um sentido de vida mais prático, do senso comum, tentando afastar-me do conhecimento científico que na minha opinião não permite a descoberta total da paz interior. Penso que muita gente procura, contudo sem fazer por isso, a sua paz interior, uma forma de vida tranquila, sem o stress do dia-a-dia. Mas para isso acontecer temos de fazer acontecer. Não podemos limitar-nos a esperar que as mudanças aconteçam sozinhas. Esta mudança tem de começar em nós, dentro de nós, numa tentativa de conhecermos quem realmente somos. A vida sorri a quem procura sorrir. Todos temos um caminho a seguir que pode ser mais fácil ou mais penoso, depende como enfrentamos os obstáculos, as vicissitudes que a vida tem para nós. E é na observação dos acontecimentos da vida que tento reflectir sobre as decisões tomadas nas diversas situações que me surgem. Tento perceber o porquê de determinada decisão ou escolha e a influência que isso tem na vida quer ao nível da família quer ao nível do eu interior. Quantas vezes nos martirizamos pelas decisões que tomamos sem no entanto reflectirmos sobre o que aprendemos com isso, o que nos fez mudar. São estas pequenas mudanças que nos afectam, que nos vão moldando ao longo do tempo e que nos faz quem somos. Pessoas melhores ou piores, mais íntegras ou menos íntegras, mais conhecedoras ou não de nós próprios. Nas minhas viagens de carro solitárias são várias as minhas divagações mentais. É um momento para deixar o meu corpo físico e dedicar-me à minha busca interior numa perspectiva de me encontrar espiritualmente. É uma viagem pelo tempo passado, numa tentativa de melhorar o futuro. Uma reflexão que me deixa mais feliz pelo autoconhecimento que alcanço e me permite continuar a evoluir.

A mudança

A mudança é algo que nos consome no dia-a-dia. É a mudança que queremos fazer no carro novo que queremos ter, o trabalho ideal que queremos alcançar, as férias de sonho que queremos fazer são várias as mudanças que nos incomodam o pensamento todos os dias. Mas estas mudanças teimam em acontecer mas que não surgem atormentam-nos a mente. Toda esta mudança que impera deve acima de tudo começar no nosso interior, pois da intenção à prática vai um longo caminho. Porque será a mudança tão difícil de alcançar? Não é fácil a resposta a tão complexa pergunta. Julgamos muitas vezes que a mudança passa por mudar de casa, de trabalho, de mulher, mas mesmo assim, depois de mudarmos algumas coisas na vida continuamos com vontade de mudar qualquer coisa, continua a existir um vazio que não conseguimos preencher. Talvez a resposta seja a de que o nosso interior está vazio e primeiro que tudo é preciso compreender o que é preciso mudar em nós, na nossa essência. A descoberta de nós próprios, a compreensão do que somos e do queremos ser é o primeiro passo a seguir. Contudo, nem esta mudança interior é fácil de atingir já que todos nós vivemos assombrados por dúvidas interiores, por medos ou indecisões. Temos de aprender a conhecermo-nos melhor, conhecer os nossos limites e superá-los. A psicologia define na mudança um ciclo que temos de percorrer. O primeiro passo é o da aceitação de que temos um problema, uma limitação e que é necessário mudar. Depois tomar a iniciativa de que algo tem de ser feito e fazer, sair do conforto, do bem-estar do facilitismo e partir à descoberta. Mas não podemos esquecer que teremos obstáculos a enfrentar, teremos vontade de desistir o que será normal. O importante é voltar ao inicio e tentar de novo pois irá chegar o momento em que veremos a luz que nos guiará à tão almejada mudança. Os benefícios que vamos obter compensam o caminho penoso que temos de percorrer. Quando conseguirmos compreender o que somos, mais facilmente percebemos como os outros nos vêm a nós, a imagem que criam de nós, e isso é importante para um melhor relacionamento com as pessoas pois é fácil que nós criemos uma imagem de nós próprios deveras diferente da que os outros vêm. Acima de tudo e mais importante é realmente preenchermos o vazio interior que cada um tem. As pequenas reflexões que podemos fazer nos vazios de tempo, no meio do silêncio são cruciais para o entendimento de nós próprios. São estes momentos que temos a sós com a nossa pessoa que nos fazem pensar que afinal pensamos muito pouco em nós. Vive-se em demasia a preocupação com o outro, se faz ou deixa de fazer, se tem ou não tem algo, se agiu bem ou mal etc. E nós, quantas vezes olhamos para o que fazemos, para as atitudes que tomamos, se estivemos bem ou mal, se decidimos bem ou mal, não queremos saber, os outros é que estão mal não nós, será? Se perdermos algum tempo ao espelho e observarmos o nosso rosto no seu todo e depois em pormenor passamos a descobrir algo novo em nós que desconhecíamos pois não paramos para nos olhar, para nos conhecermos. Se fizermos um simples exercício de respiração vamos perceber que nunca paramos para ouvir a respiração e neste momento é interessante perceber que o tempo parou para nós e ouvimo-nos por breves segundos, paramos por nós e para nós. Nestes pequenos gestos inicia-se a viagem para a descoberta no nosso interior. Outro exercício que podemos fazer é aproveitar um momento de silêncio e escutar todos os sons que nos invadem o corpo e a mente e esperar uma reacção do nosso organismo aos elementos do exterior, todo o ruído que existe ao nosso redor influencia a nossa maneira de sentir as coisas, quando estamos num local com muitos sons passado algum tempo vamos ficar incomodados, então quando estivermos a usufruir de algum aparente silêncio devemos aproveitar e escutar os sons que nos percorrem o corpo. Vamos perceber que neste silêncio existem muitos sons que perduram e só temos que os deixar invadir o nosso corpo, a mente e os pensamentos.

A felicidade

A felicidade é algo que todos ansiamos alcançar. A felicidade interior, o bem-estar físico e mental, o estar bem com a vida. Buscamos também a felicidade material, por vezes uma felicidade que nunca está completa até encontrarmos a calma interior. A felicidade deve basear-se na satisfação pessoal, no sentirmos que somos úteis, que somos ouvidos, que somos um exemplo para alguém. Quando olhamos os outros e vemos sinais de felicidade, também nós somos influenciados por essa felicidade e passamos a desejar sermos também nós felizes. A busca pela felicidade começa na necessidade de mudança, quando percebemos que algo não está bem, que necessitamos de novos estímulos para a vida, já de si monótona sem brilho ou atracção. É necessário procurar algo que nos mova, que nos faça agir, algo que provoque a quebra nas rotinas e indique um novo rumo. O desenvolvimento da nossa felicidade começa nos novos desafios que queremos enveredar, nas novas reflexões que nos fazem indagar na descoberta dos porquês. A felicidade traz bom humor, satisfação interior e um bem estar com a vida. A felicidade é um bem essencial para um bom relacionamento com a vida e com os outros. Quanto melhor for o relacionamento com nós mesmos, melhor será o relacionamento com os outros. Pessoas felizes a conviverem criam um ambiente harmonioso de troca de boas energias, só temos de saber canalizar essa energia para o nosso interior e para a vida que nos rodeia. A nossa vida é feita de polaridades pois temos a alegria e a tristeza, o calor e o frio, a felicidade e a infelicidade, só temos de atrair as energias positivas, vamos atrair o que o nosso pensamento quiser, o que reside no nosso inconsciente. As pessoas quando se sentem infelizes vivem amarguradas, sem sentido de vida, desorientadas, cabisbaixas. Quando se esncontram na presença de pessoas felizes vão inconscientemente sugar a energia positiva dessas pessoas e os que se sentem felizes podem ficar enfraquecidos pela perda de energia para os que se sentem mais fracos. O que acontece é que os que se sentem infelizes não se sentem impulsionados pela felicidade dos outros pois ainda não descobriram o caminho para a felicidade, não compreendem que esse caminho trilha-se a partir do nosso interior, é uma procura pessoal que tem obrigatoriamente que começar na reflexão, no entendimento da nossa situação, na compreensão das nossas limitações e na tentativa de as superar. Só depois de se iniciar o preenchimento do vazio do nosso interior é que a felicidade extravasa para o exterior e nesse momento também nós seremos um exemplo de felicidade para os outros. E a felicidade é algo contagiante pois ao vermos alguém feliz também nós nos vemos compelidos a procurar essa felicidade. Quando alcançamos uma qualquer mudança no nosso interior a partir desse momento tudo muda, nada será igual pois passamos a compreender que existe muito mais para descobrir.
Quando existe felicidade, existe uma maior predisposição para o diálogo e o diálogo possibilita troca de ideias e conhecimento. São estas ideias e conhecimentos que permitem que continuemos a evoluir como pessoas. O diálogo com as pessoas permite reforçar a nossa curiosidade em querermos saber mais, cria estímulos para o conhecimento, para a partilha do saber. Aquele que transmite tudo o que sabe, sem medos ou inseguranças fica mais rico, pois vai sentir necessidade de saber mais, sente que o que aprende é útil, não só para ele como também para os outros. Quando trocamos ideias e conhecimentos estamos a dar também um pouco de nós, da nossa personalidade, da nossa inteligência, do que temos de mais pessoal. Quando passamos essa informação, esta já vai influenciada por aquilo que somos, pela nossa opinião pessoal, deixa de ser uma informação formal e passa a informal. A riqueza de receber o conhecimento do outro é que temos o privilégio de conhecer melhor essa pessoa, de ficarmos com um pouco do outro. A beleza de dar e receber é o facto de isso nos permitir evoluir para pessoas mais felizes, mais capazes, mais atentas. Já dizia um velho ditado “A sabedoria não ocupa lugar.” E esta nunca acaba.

O silêncio

Se disse-se a alguém que acho o silêncio algo ensurdecedor, talvez diriam que sou maluco. Talvez para eles mas para mim não. O silêncio absorve-me por completo, envolve-me de uma maneira que sinto que estou preso, quase asfixiado, abraçado pelo silêncio. Um silêncio que não diz nada, não comunica, não cria diálogo mas faz-nos pensar, por vezes até mais do que quando estamos com outras pessoas. O silêncio obriga à reclusão, ao pensamento, à reflexão, normalmente uma reflexão interior mais profunda que o normal dos pensamentos. O silêncio é intimidatório, um pouco sinistro até, pois nestes momentos de silêncio o que reina é o nada com o todo, o nada que é o silêncio e o todo que são as nossas reflexões. O silêncio permite pensar no pormenor das coisas e elevá-las a pensamentos mais estruturados e elaborados, permite-nos fazer analepses do que já fomos e do que queremos ser, permite-nos evoluir no patamar da sabedoria. O silêncio é uma arma poderosa, mas que tem de ser controlado, pois este também tem o seu lado tenebroso e sombrio, pois quando vivemos em silêncio, mesmo que por breves momentos, o limbo entre a sanidade e a insanidade é muito curto, o importante durante um período de silêncio é não deixarmos o nosso cérebro em silêncio, pois já basta o próprio silêncio que nos rodeia e nos consome. Não é fácil controlar a mente nestes momentos de silêncio, pois temos muita informação na nossa cabeça que fica à deriva nestes momentos e que é importante que rapidamente seja estruturada para então passarmos à reflexão. Eu gosto de reflectir, pois é assim que entendo e compreendo o verdadeiro “eu”, quem sou e o que quero ser, o que posso mudar e devo manter sendo que o objectivo é sempre melhorar. Só com o silêncio é que consigo realmente abstrair-me do mundo barulhento em que vivemos e que obriga a nossa mente a retrair-se, a fechar-se sobre si mesma, impedindo que se explore toda a capacidade da reflexão. A reflexão leva ao auto-conhecimento e se nos conhecermos bem podemos mudar o que está mal. Mas por vezes até o silêncio é escasso, as pessoas não procuram o silêncio, fogem dele, quando por vezes sentem que necessitam de estar sozinhas em silêncio, dizem elas, refugiam-se na televisão. Este não é o silêncio “puro”, existe muito ruído para a mente, muita informação. Para se obter o verdadeiro silêncio é necessário que nós próprios nos fechemos ao mundo exterior e abramos o nosso interior ao silêncio que habita dentro de nós e que devemos explorar.

A alma

A liberdade do pensamento é algo que nunca pode ser censurado. Todos nós ousamos pensar para nós próprios reflectindo as ideias que nos surgem no momento. E ousamos pensar pela liberdade que isso nos permite sem sermos julgados pelos que pensamos. Quando dizemos o que pensamos corremos sempre o risco de não sermos compreendidos ou sermos mal interpretados, pois não vemos o mundo da mesma maneira. O que tem de bom no pensar para nós mesmos é que nós não criticamos os nossos pensamentos pois são fruto da nossa imaginação e esta não deve ser questionada senão incentivada. É dos pensamentos fortuitos que surgem as ideias e por vezes a vontade da mudança pois ao reflectirmos nos nossos pensamentos sem preconceitos estes tornam-se uma realidade ou pelo menos servem para manter a mente activa e receptiva a novas situações. Mas uma mente cansada dá azo a pensamentos descontrolados desviados da realidade e que se encontram no limiar da demência ou uma loucura temporária controlada. O autocontrolo da nossa mente é assim importante e por isso devemos treinar a nossa mente a obedecer às nossas necessidades e anseios. Temos de ser nós a controlar as nossas vontades para que a mente não nos consuma a alma. Se bem que eu não saiba o que é a alma ou tenho uma vaga ideia do que possa ser. Para mim a alma incarna todo o nosso ser, desde o físico ao sentimental, passando pelo espiritual e acabando no fim da vida. A alma é o que se vê e o que não se quer ver. Quando se diz que alguém é mau mas tem bom coração, significa que existe um conflito entre o ser que se vê e a sua alma. Existe um conflito interior que em certos momentos é exteriorizado sobre forma violenta. Mas a alma não se muda é algo intrínseco a cada um de nós. O que podemos mudar é a forma como os outros nos vêm e como nos vemos a nós próprios. Quando se fala em autoconfiança, autocontrolo, auto-estima são tudo palavras relacionadas com a descoberta de nós mesmos, conhecer a nossa alma. Quando alguém consegue sentir-se bem com ela própria e alcança o que deseja e sente que os outros a valorizam, essa pessoa vai sentir uma paz interior, isso significa que existe sintonia entre o interior e o exterior, entre o que sentimos dentro de nós  e o que vemos ao espelho. Pois quanto melhor estiver o nosso interior mais radiante será o nosso exterior. Quando observámos alguém que nos mostra um ar abatido, triste, cabisbaixo, isto significa que o seu interior está frágil, não está em sintonia com o exterior. Não adianta tentarmos colocar capas no nosso exterior para esconder o que nos vai na alma pois temos de criar uma harmonia entre os dois lados e a cura parte sempre do interior para o exterior. Quando se diz “ouve o coração”, significa que temos de ter atenção aos avisos que o nosso interior nos dá e isso é possível detectar através dos sintomas que são reflectidos pelo nosso exterior. Se nos olharmos ao espelho por alguns minutos aprendemos a olhar não só para a nossa imagem exterior mas sobretudo entramos dentro do nosso ser e é incrível quando percebemos que afinal conhecemos mal a pessoa que somos no nosso interior. A descoberta inicia-se a partir do momento em que percebemos que afinal não conhecemos o nosso “eu” interior e é interessante conhecer.

Optimismo / Pessimismo

Vivemos num mundo de competitividade, onde os fracos dificilmente ocupam lugar. Fracos no sentido dos que exigem pouco de si, dos que relevam a persistência para segundo plano, o tempo urge e é necessário lutar contra as adversidades. O optimismo deve imperar nos mais capazes, a confiança deve permanecer nos optimistas, e a vontade de vencer deve existir nos audazes. Temos de estabelecer um compromisso com nós próprios, desenhar um caminho que temos de percorrer, sem medos ou pressões em nos desviarmos do nosso caminho, o esforço que temos de fazer para regressar ao mesmo, irá certamente fazer-nos mais fortes, mais capazes para enfrentar as vicissitudes da vida. A verdadeira capacidade para enfrentar os problemas da vida surge naqueles que conseguem ver o lado positivo de um problema, pois todos os problemas têm duas faces, tudo depende da forma como olhamos o problema e como o tentamos resolver. Normalmente um optimista consegue, ou tenta, ver o lado positivo de um problema e aplica todos os seus esforços na sua resolução. O pessimista ou o neutro limita-se a encontrar obstáculos na resolução dos problemas e prefere nada fazer, a tentar resolvê-lo. Só o facto de pensar que um problema exige um esforço à sua resolução é o suficiente para desistir.

Sonhar acordado

Sonho o que sou e o que não sou. Sonho o que gostava de ser. Sonho acordado para ter a certeza que os sonhos são meras especulações do meu cérebro. Sonho acordado porque me torna consciente dos limites do real e do irreal. Sonho porque me permite num acto de inconsciência, consciente, sair da realidade que me persegue e absorve. Sonhar faz bem, porque me deixa mais acordado para tudo o que me rodeia. São os sonhos que me fazem caminhar na percussão dos meus objectivos, desejos, ambições etc. Mas não é fácil perceber porque sonhamos, quando vivemos numa realidade quase palpável e certa. Quando sonhamos algo que queremos ter ou atingir, esse algo torna-se uma meta a alcançar. Quando conseguimos transformar um sonho num objectivo alcançado este torna-se uma realidade.

A lembrança

A vida é um oceano sem horizonte, sem tempo, mas cheia de memórias que se esvanecem com a idade, pois estamos sempre a esquecer para lembrar. Quem ler estas linhas que pare para pensar 1 minuto na sua vida e que pense em dois momentos passados que ficaram na memória, depois de relembrares vais ver que afinal esses momentos estiveram esquecidos até agora, vale a pena lembrar para não esquecer.

O tempo

Desespero com o tempo que não passa. A minha mente fica tresloucada sem saber em que pensar. Sinto-me fechado num mundo só meu, impenetrável. Mas o tempo é muito relativo e é difícil de explicar. O tempo são fragmentos de espaço que deixam de ocupar o meu cérebro, pois fico sem ideias ou pensamentos em que me ocupar. Por isso escrevo e espero que estes momentos sejam suficientes para esquecer a loucura em que me sinto entrar. Tento reflectir sobre alguma coisa, mas não surge nada, tão absorvido que estou pelo vazio do tempo. Pergunto-me então o que será o tempo se não o posso ver ou controlar, nem tão pouco palpar. Espero que este momento passe e que o tempo, que não vejo, seja ocupado por novos pensamentos e reflexões. E com o passar do tempo, seja isso o que for, sinto que estou mais preparado para enfrentar o que vier a seguir. A verdade é que o que sinto é um vazio difícil de preencher e que me deixa angustiado por não saber bem o que fazer. Observo o que me rodeia tentando preencher o tempo que falta passar até que surjam novas ideias ou reflexões em que me possa concentrar. Não é fácil abstrair-me da confusão que vai no meu cérebro em que por vezes receio a demência. Para mim é fácil controlar o dito tempo quando sinto um turbilhão de ideias ou pensamentos na mente, pois nesse caso é necessário organizá-los e definir prioridades de concretização dos mesmos. Vale mais uma mão cheia de pensamentos que um vazio de tempo.

Os sonhos

Os sonhos são os reflexos das nossas vontades, dos nossos desejos ou ambições. Mas os sonhos mais verdadeiros são os que temos acordados, pois permite-nos uma reflexão consciente das coisas atingíveis e reais das outras que tanto ansiamos mas que sabemos à partida que não vamos conseguir. Mas é neste esforço de memória que as ideias surgem e nos fazem imaginar que o amanhã é possível, basta acreditar e ser persistente e tudo acontece.

Pensamentos do momento

Neste momento que escrevo, vive em meu redor um silêncio que me assusta. Um silêncio que permite que a minha mente por breves momentos assista a um sentir de sensações que noutro momento não era possível. Antes de escrever estas linhas tinha-me levantado para perceber que estava acordado. Oiço os meus próprios passos que por vezes mais parecem não ser os meus, tal é o silêncio. O silêncio que me permite prestar atenção a pequenas coisas que normalmente me passam despercebidas. Oiço atentamente o cair da chuva, uma chuva miúda que cai constantemente, mas com serenidade, que até me permite estar calmo. O ouvir a chuva cair dá-me alguma tranquilidade e conforto, sonhando acordado com o lar. Observo o espaço que me rodeia e presto atenção às paredes que estão desgastadas pelo tempo. A chuva entretanto aumenta o seu caudal e o silêncio deixa de existir. Foram bons os momentos que senti até então. Faz bem à mente, de vez enquanto, reflectir sobre as pequenas coisas que fazem parte da nossa vida, mas que por vezes não temos oportunidade de reparar. Acabo de fazer uma pequena leitura sobre diversos assuntos, deveras interessantes, e que me permite nesta solidão de dar algum valor. Gosto de escrever o que sinto, mesmo sabendo que por vezes é difícil de escrever sobre as emoções do momento ou até de pequenos pensamentos que vão surgindo. A chuva intensifica a sua força, a sua ira, pois agora é bem audível o seu cair. Foi-se o silêncio, mas fica a reflexão que me permite mais uma vez sentir que estou vivo.

O Amor

A minha mente expande-se no infinito, imperceptível ao meu olhar. A minha visão é ferida pela dor do sofrimento que trespassa o meu coração, já demente pela perda do meu amor.
Sinto o raciocínio esvair-se no ar. A demência torna-se evidente perante o meu esforço de reagir, sem no entanto nada poder fazer. Sinto o meu espírito entrar em ascensão.
A minha mente torna-se leve e abandona o meu corpo.
Escrevo esta carta a ti, por amor, porque tu és simples. Lembro-me dos momentos em que estamos sentados um perto do outro e oiço a tua voz maravilhosa e que há tanto tempo me é familiar aos ouvidos. Para mim és um verdadeiro encanto de mulher, uma pessoa que me compreende, às vezes. Tu preenches o vazio que há em mim e assim fazes-me feliz.

Os porquês

Às vezes sonho acordado, vejo a vida a mudar e o mundo a desmoronar-se ao meu redor. Sinto a vida ao longe, em que por vezes não me apetece participar. Sinto o vazio invadir-me, perco a noção do tempo e o gosto pela vida. Prevalecem em mim sentimentos de revolta, sinto-me à parte do mundo que me repudia sem ligar à minha dor.
Olho por breves momentos, o que me rodeia sem oferecer comentários, mas a vida é feita de perguntas e respostas e eu sinto-me cada vez mais céptico em relação a tudo o que me rodeia. Para mim tudo tem de ter uma explicação, sobretudo em relação à religião tenho colocado várias questões a mim mesmo sobre as quais continuo a indagar sem obter qualquer resposta. Respostas que ninguém me sabe dar. Mas que preferem a comodidade à reflexão. Vivem por isso enclausurados dentro de uma vida de porquês que não exteriorizam.
Devemos pois todos livrar-nos deste enclausuramento interior e deixar de viver ao faz de conta. É tempo de deixar a caverna.

A dor e sofrimento

A vida é cheia de alegrias, tristezas, verdades e incertezas. Tudo está bem, ou pelo menos é o que todos pensámos até que a montanha desaba, o tempo pára e as emoções surgem à flor da pele.
Dor e sofrimento porque existem nas nossas vidas? São sentimentos que nos ajudam a viver, e só sentindo a dor se consegue perceber o verdadeiro significado da vida. É através do sofrimento e da dor que a vida se refaz e se muda o pensamento. Por vezes não é fácil deixar que estes sentimentos fluam no nosso corpo. Estão retraídos, pois a dor e o sofrimento são insuportáveis, e é difícil aceitar que temos de os deixar sair. Enquanto estes não se mostram na sua debilidade frágil, a mente sofre, o corpo paga e o coração sente, sente a dor no seu interior, qual turbilhão que não se vê mas que intensifica a sua dor, assim como o tempo vai passando.
O coração não respira, sufoca, bate lentamente por a sua dor ser tão grande e profunda.
O corpo suspira, na tentativa de dar um pouco de alívio ao aperto que sente no coração e à pressão dos seus pulmões que dificultam a entrada do ar.
A abstracção torna-se difícil com a dor a aumentar. A mente retrai o pensamento e apenas cresce a vontade de explodir e libertar toda a ansiedade, dor, sofrimento que persiste.
Todas as sensações que advêm destes sentimentos são duras, mas são sensações que ao tentarmos perceber de onde vêm e como são tão nefastas, percebemos que nunca fizemos realmente nenhuma tentativa para perceber quem somos realmente e o que fazemos no mundo. Uma realidade por vezes difícil de enfrentar, pois temos medo do que possamos encontrar. Todo isto acontece porque não vivemos para nós, mas sim para os outros, e repisamos vezes sem conta a nossa própria felicidade em prol da dos outros.
E estes sentimentos são maiores, porque não estamos habituados a partilhar as nossas sensações, os nossos sentimentos, as nossas ideias. Fala-se, mas muita coisa fica por dizer, talvez porque não sabemos como as transmitir, ou não queremos simplesmente partilhar. A alma nunca está livre, vive enclausurada, há espera do momento para explodir, pois chega o momento em que a turbulência se torna insustentável.  
E é num momento de fragilidade que tudo acontece. Como as comportas de uma barragem que abrem e permitem que a água passe para se fazer ao rio, também o corpo cede, e todas as emoções rebentam e surgem com toda a sua força, visível agora, para aliviar a pressão que o corpo sentia.
O corpo reage, as lágrimas excedem-se na humidificação da retina, o corpo fica débil e sem energia, contaminado pela dor, sofrimento, sufoco.
O tempo deixa de contar, neste momento tudo muda, a vida pára, é necessário perceber o que está a acontecer para ultrapassar o vazio que se instalou. Como continuar se a mente não reage, está imobilizada pelo choque emocional, o qual não previa e não fazia parte da sua realidade.
A tensão instala-se, as pálpebras ficam pesadas e é difícil manter os olhos abertos. A respiração continua difícil de aguentar e o ar que entra não é suficiente para oxigenar o cérebro, que é necessário para o ajudar a raciocinar.
Esperam-se tempos difíceis, cheios de obstáculos que se terão de ultrapassar. Mas tal como os atletas ultrapassam os seus obstáculos, também agora será necessário muito trabalho e empenho se queremos sair vitoriosos.
O sonho comanda a vida, quem não os tem, vive no vazio, sem saber para onde tem de seguir. Há Homens que deixam de viver sem nunca terem vivido. Por isso levanta-te e mostra a todos os que não acreditam na pessoa que és, uma pessoa lutadora, forte, determinada e combativa, que não morreste e não deixas-te de lutar pelo que acreditas. Vai em frente e derruba todos os obstáculos e mentes nefastas que surgem na tua vida. Para os infelizes de espírito, pessimistas mostra-lhes que a vida vale a pena ser vivida e que aprendeste com as dificuldades da vida e que te estás a tornar mais forte, e que te tornarás invencível na percussão dos teus objectivos. A melhor vitória acontece depois de uma derrota. A sensação de vitória e de supressão de um obstáculo é superior aos sentimentos de fragilidade e dor provocados por um momento de vazio e solidão.
Abre os olhos e olha em frente, um novo caminho abriu-se agora para ti, um caminho de esperança, um novo alento para continuar. O corpo sente o aliviar da pressão e os pulmões respiram melhor, todo um bem-estar penetra em todo o corpo que parece levitar, tal é o alívio da pressão.
Surge um novo momento, de alegria e bem-estar, o sangue que circula nas veias aumenta a sua intensidade e coloca todo o organismo a funcionar, qual alvoroço de uma multidão, o corpo renasce com uma energia revigorada, na busca de novas metas.
Os tempos são de bonança, agora, tempos de reflexão sobre a vida nova que se avezinha e que é necessário traçar um novo rumo.
Novas escolhas se colocarão no caminho, mas desta vez serão escolhas mais fáceis, pois depois do sofrimento, o coração e a alma estão preparados para as grandes decisões, que serão ponderadas e bem medidas sem nunca deixarem de ter um pensamento optimista e ambicioso. A solidão só existe quando não temos junto de nós os que mais gostamos.

Ferida que dói e se sente

Esta ferida que sentes e que não quer desaparecer, faz parte do percurso da vida e que é necessário vive-la para se perceber que existem vários caminhos que decidem a nossa vida. Alguns pelos quais todos temos de passar. A vida é feita de bons e maus momentos, mas são os maus momentos que nos fazem raciocinar, reflectir sobre o porquê das coisas. São esses momentos que nos moldam o espírito e a personalidade e nos fazem crescer. Temos é de saber utilizar estas passagens de forma positiva e não pensar que só acontece a nós. A maneira como lidamos com os problemas vai reflectir-se no caminho a seguir. Se perante o insucesso ou desilusão baixarmos os braços, todo o nosso caminho será alterado do seu trilho original.
A mudança é difícil de enfrentar, mas temos de ter a coragem de avançar, avançar para viver.
Por vezes sentimos a vida alterada, sem rumo ou orientação, sentimos uma mágoa no coração.
Todos os medos que nos perseguem vão sempre existir, temos é que saber como os substituir por pensamentos optimistas e acreditar que tudo faz parte da vida e para perceber o seu funcionamento é necessário que vivamos os problemas para os percebermos e podermos enfrentá-los.

A Viagem

Avisto uma paisagem que mais parece obra de Deus. Intocável, ainda, pela mão do Homem. Um lugar de paz e tranquilidade.
O rio que corre, desliza suavemente como que dançasse por entre as rochas que encontra no seu caminho.
Tudo parece imobilizado no tempo. Toda esta harmonia da natureza aguarda a contemplação dos que passam, para ficarem maravilhados com a sua beleza.
O céu e a terra unem-se, como dois apaixonados, que se contemplam no amor. O sol brilha, e a água reflecte a sua luz que lhe dá vida e permite que estas duas forças da natureza se unam.
O sentimento vivido pelas sucessivas imagens que penetram na minha visão é difícil de explicar, um misto de felicidade e bem-estar com a tristeza de apenas contemplar toda esta beleza sozinho.
A introspecção a que me leva a fazer tudo este pequeno momento, permite encontrar-me por breves momentos e pensar que a vida vale a pena ser vivida.