27 de janeiro de 2012

Presos ao tempo

Observo as criaturas que deambulam num espaço fechado. Perdidos, tentam encontrar um modo de estar. Caminham agrupados como as matilhas na floresta. Alguns mais parecem afastados da realidade que os consome. Tentam encontrar um rumo que lhes permita continuar a acreditar que existe uma saída para o mundo em que vivem. Outros há, que extravasam as emoções acumuladas das mais variadas formas. Caminham num passo lento na esperança que o tempo passe. Parecem animais perdidos na mata, agem como se não houvesse ninguém a observá-los. Mas eu observo. E observo o seu modo de andar, como interagem entre eles, os grupos que criam ou a que estão associados, tudo é observável quando o tempo passa devagar. O espaço é curto, mas para eles parece maior, pelo menos tem de parecer senão estariam limitados nos seus pensamentos. Qualquer coisa permite fugir do momento presente. Canta-se, fuma-se, passeia-se, saem de cena. Por vezes o espaço fica vazio e eu fico quase sem nada para observar. Mas eles regressam, é um vai e vem constante. E surgem outros, alguns, sozinhos, vieram para pensar, precisam de um espaço aberto para que os pensamentos respirem. Um deles pára, reflecte, olha para o céu, com as suas nuvens carregadas, cinzentas e aguarda um sinal. Descarregam as suas ideias no ar, sentem-se diferentes, o ar aqui é diferente, respira-se, à menos pressão. O espaço é rodeado por muros, gastos pelas intempéries, com marcas deixadas pelo tempo. Corre uma brisa amena, sente-se o aproximar da chuva que teima em não chegar.

26 de janeiro de 2012

A Austeridade

Anda tudo ao desnorte,
Com a fraca pouco sorte
Que esta crise veio trazer.
O país está desgovernado,
Anda tudo baralhado
E ninguém sabe bem o que fazer.
É o capitalismo instalado,
É os novos carros para o estado,
É a austeridade no ar
E as nomeações a aumentar.
Sacrifícios é o que o estado solicita,
Haja coragem e alguém que o demita.
É preciso paciência para aguentar
Os devaneios de quem está a mandar,
Poucos são os que querem ver,
Que este país está a desaparecer.
Somos um país de história e tradição,
Infelizmente a caminho da destruição.
Alguém tem de parar esta demência
Ou ainda vamos, é perder a independência.
Dos fracos não reza a história,
Mas esta situação há-de ficar na memória.
Os gestores que o país tem,
Já não lembra a ninguém,
Levam as empresas à destruição,
E ainda recebem prémios de produção.
Mas que país é este afinal,
Que privilegia, tudo, o que é ilegal.
Vamos todos indo e vendo,
Onde isto vai chegar,
Entre mortos e feridos,
Alguém se há-de safar,
Os políticos com certeza,
Pois comem todos à mesa.

24 de janeiro de 2012

As emoções

Paro, reflicto,
Escuto com atenção.
Observo a envolvência,
E espero.
Algo há-de surgir
Do fundo do meu ser.
Um sentir diferente
Do interior da minha mente.
As emoções degladeiam-se,
Lutam por um lugar, todas querem emergir,
Mas só algumas vão vencer.
O estado de espírito do momento
Vai ditar as vencedoras.
As emoções são difíceis de gerir e de controlar,
Mas primeiro é preciso senti-las.