Observo as criaturas que deambulam num espaço fechado. Perdidos, tentam encontrar um modo de estar. Caminham agrupados como as matilhas na floresta. Alguns mais parecem afastados da realidade que os consome. Tentam encontrar um rumo que lhes permita continuar a acreditar que existe uma saída para o mundo em que vivem. Outros há, que extravasam as emoções acumuladas das mais variadas formas. Caminham num passo lento na esperança que o tempo passe. Parecem animais perdidos na mata, agem como se não houvesse ninguém a observá-los. Mas eu observo. E observo o seu modo de andar, como interagem entre eles, os grupos que criam ou a que estão associados, tudo é observável quando o tempo passa devagar. O espaço é curto, mas para eles parece maior, pelo menos tem de parecer senão estariam limitados nos seus pensamentos. Qualquer coisa permite fugir do momento presente. Canta-se, fuma-se, passeia-se, saem de cena. Por vezes o espaço fica vazio e eu fico quase sem nada para observar. Mas eles regressam, é um vai e vem constante. E surgem outros, alguns, sozinhos, vieram para pensar, precisam de um espaço aberto para que os pensamentos respirem. Um deles pára, reflecte, olha para o céu, com as suas nuvens carregadas, cinzentas e aguarda um sinal. Descarregam as suas ideias no ar, sentem-se diferentes, o ar aqui é diferente, respira-se, à menos pressão. O espaço é rodeado por muros, gastos pelas intempéries, com marcas deixadas pelo tempo. Corre uma brisa amena, sente-se o aproximar da chuva que teima em não chegar.