Encontro-me na
cadeira do desassossego, de onde observo um mundo moribundo deitado ao esquecimento.
Um local perdido para os que vieram aqui parar. Esfria o tempo e aquece-se a
memória com as boas recordações o que permite sair daqui por momentos. Mas
tenho de voltar que a situação assim o exige.
29 de junho de 2013
Segue-me
Sinto o cheiro do teu
odor, este que te corre pelo corpo e impregna o meu olfato. Este odor que mexe
com os meus sentidos e me transforma. Fico siderado com o teu perfume, forte
mas suave, faz-se sentir mas com uma leveza que me embala e me obriga a
perseguir-te com o olhar. O teu olhar petrifica-me os movimentos tal o seu
brilho e intensidade, que neles posso ler a tua essência.
Letras soltas
Olha a história da madrugada de quem se fez à estrada, pelo caminho vai
pensando no que há para mudar, passa o tempo nas memórias a lembrar algumas
histórias. É assim com harmonia que se vive o dia a dia. Há-de ser e sempre
foi, a cantiga de outrora, pega nos pensamentos e vai-te embora. Oh rosa do meu
quintal, o que fazes tu aqui, não te vejo fazer nada, a não ser olhar a
estrada, na ânsia de explicação para a falta de inspiração. Vai o vento e volta
ao mesmo já sem nada para dizer, vai-te embora e não voltes, é o melhor que há
a fazer. Doce casa maneirinha, qua saudades que lá vão, vivem cá as memórias
dentro do meu coração. Terra em frente tudo quer, ao som de uma garraiada, bate
o pé e finca o braço à espera da alvorada.
Escrever porquê
Observo o sol que me
bate na face e deixo que ele me aqueça. A sensação é agradável e aprecio o
momento. Desfruta-se o que se tem. E são as pequenas coisas que valem a pena.
Deixo a inspiração sair e a caneta a deslizar sobre o papel branco, limpo, a
ver as letras a surgir. Ao mesmo tempo oiço a música que passa na rádio.
Erradio bem-estar e é bom sentir as coisas boas que acontecem. O momento é de
reflexão, como eu gosto. São pequenos nadas que completam o meu ser. Escrever
sempre foi um prazer, pois aprecio cada letra que sai sem pensar ainda no seu significado.
A leitura do que escrevo será feita mais tarde para interiorizar o que foi dito
sem falar. Quando escrevo por inspiração deixo que esta flua sem a interromper,
pois estes são raros momentos de prazer que surgem amiúde, quando a cabeça
assim quer. A sensação de liberdade sentida com a escrita é deveras
impressionante, pois sinto a adrenalina na mão e nos dedos, que euforicamente deslizam
pelo papel na ânsia que não acabe. Este nervosismo positivo é aproveitado ao
máximo, pois sei que a caneta vai acabar por parar de escrever, por falta de
inspiração ou simplesmente porque esta não se deve deixar esgotar para deixar
algo mais para dizer outro dia que virá. Mas agora ainda escrevo com vontade de
deixar sair o que estava acorrentado no interior e que agora explodiu. A melhor
forma que tenho de me expressar é através da escrita, pois é mais fácil deixar
as letras surgirem num papel sem as questionar ou pensar nelas, do que falar.
Quando falamos as palavras que saem perdem-se no ar e apenas fica o que os
outros querem que fique, enquanto o que escrevo, não se perde, mas perdura
sempre que eu as quiser ouvir. E oiço e reflito o que escrevi para melhor me
compreender e melhorar o que houver para melhorar. Quando releio, consigo
reviver o momento exato em que essas palavras foram escritas e as sensações que
vivi ao escrevê-las. Vale a pena recordar para sentir-mos que já vivemos alguma
coisa. São estas pequenas coisas que fazem a diferença numa vida cheia de
nadas.
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