30 de agosto de 2011

A mudança

A mudança é algo que nos consome no dia-a-dia. É a mudança que queremos fazer no carro novo que queremos ter, o trabalho ideal que queremos alcançar, as férias de sonho que queremos fazer são várias as mudanças que nos incomodam o pensamento todos os dias. Mas estas mudanças teimam em acontecer mas que não surgem atormentam-nos a mente. Toda esta mudança que impera deve acima de tudo começar no nosso interior, pois da intenção à prática vai um longo caminho. Porque será a mudança tão difícil de alcançar? Não é fácil a resposta a tão complexa pergunta. Julgamos muitas vezes que a mudança passa por mudar de casa, de trabalho, de mulher, mas mesmo assim, depois de mudarmos algumas coisas na vida continuamos com vontade de mudar qualquer coisa, continua a existir um vazio que não conseguimos preencher. Talvez a resposta seja a de que o nosso interior está vazio e primeiro que tudo é preciso compreender o que é preciso mudar em nós, na nossa essência. A descoberta de nós próprios, a compreensão do que somos e do queremos ser é o primeiro passo a seguir. Contudo, nem esta mudança interior é fácil de atingir já que todos nós vivemos assombrados por dúvidas interiores, por medos ou indecisões. Temos de aprender a conhecermo-nos melhor, conhecer os nossos limites e superá-los. A psicologia define na mudança um ciclo que temos de percorrer. O primeiro passo é o da aceitação de que temos um problema, uma limitação e que é necessário mudar. Depois tomar a iniciativa de que algo tem de ser feito e fazer, sair do conforto, do bem-estar do facilitismo e partir à descoberta. Mas não podemos esquecer que teremos obstáculos a enfrentar, teremos vontade de desistir o que será normal. O importante é voltar ao inicio e tentar de novo pois irá chegar o momento em que veremos a luz que nos guiará à tão almejada mudança. Os benefícios que vamos obter compensam o caminho penoso que temos de percorrer. Quando conseguirmos compreender o que somos, mais facilmente percebemos como os outros nos vêm a nós, a imagem que criam de nós, e isso é importante para um melhor relacionamento com as pessoas pois é fácil que nós criemos uma imagem de nós próprios deveras diferente da que os outros vêm. Acima de tudo e mais importante é realmente preenchermos o vazio interior que cada um tem. As pequenas reflexões que podemos fazer nos vazios de tempo, no meio do silêncio são cruciais para o entendimento de nós próprios. São estes momentos que temos a sós com a nossa pessoa que nos fazem pensar que afinal pensamos muito pouco em nós. Vive-se em demasia a preocupação com o outro, se faz ou deixa de fazer, se tem ou não tem algo, se agiu bem ou mal etc. E nós, quantas vezes olhamos para o que fazemos, para as atitudes que tomamos, se estivemos bem ou mal, se decidimos bem ou mal, não queremos saber, os outros é que estão mal não nós, será? Se perdermos algum tempo ao espelho e observarmos o nosso rosto no seu todo e depois em pormenor passamos a descobrir algo novo em nós que desconhecíamos pois não paramos para nos olhar, para nos conhecermos. Se fizermos um simples exercício de respiração vamos perceber que nunca paramos para ouvir a respiração e neste momento é interessante perceber que o tempo parou para nós e ouvimo-nos por breves segundos, paramos por nós e para nós. Nestes pequenos gestos inicia-se a viagem para a descoberta no nosso interior. Outro exercício que podemos fazer é aproveitar um momento de silêncio e escutar todos os sons que nos invadem o corpo e a mente e esperar uma reacção do nosso organismo aos elementos do exterior, todo o ruído que existe ao nosso redor influencia a nossa maneira de sentir as coisas, quando estamos num local com muitos sons passado algum tempo vamos ficar incomodados, então quando estivermos a usufruir de algum aparente silêncio devemos aproveitar e escutar os sons que nos percorrem o corpo. Vamos perceber que neste silêncio existem muitos sons que perduram e só temos que os deixar invadir o nosso corpo, a mente e os pensamentos.