Neste momento que escrevo, vive em meu redor um silêncio que me assusta. Um silêncio que permite que a minha mente por breves momentos assista a um sentir de sensações que noutro momento não era possível. Antes de escrever estas linhas tinha-me levantado para perceber que estava acordado. Oiço os meus próprios passos que por vezes mais parecem não ser os meus, tal é o silêncio. O silêncio que me permite prestar atenção a pequenas coisas que normalmente me passam despercebidas. Oiço atentamente o cair da chuva, uma chuva miúda que cai constantemente, mas com serenidade, que até me permite estar calmo. O ouvir a chuva cair dá-me alguma tranquilidade e conforto, sonhando acordado com o lar. Observo o espaço que me rodeia e presto atenção às paredes que estão desgastadas pelo tempo. A chuva entretanto aumenta o seu caudal e o silêncio deixa de existir. Foram bons os momentos que senti até então. Faz bem à mente, de vez enquanto, reflectir sobre as pequenas coisas que fazem parte da nossa vida, mas que por vezes não temos oportunidade de reparar. Acabo de fazer uma pequena leitura sobre diversos assuntos, deveras interessantes, e que me permite nesta solidão de dar algum valor. Gosto de escrever o que sinto, mesmo sabendo que por vezes é difícil de escrever sobre as emoções do momento ou até de pequenos pensamentos que vão surgindo. A chuva intensifica a sua força, a sua ira, pois agora é bem audível o seu cair. Foi-se o silêncio, mas fica a reflexão que me permite mais uma vez sentir que estou vivo.