Quando sentes que estás
encurralado num limbo de indecisões, pára. As várias situações com que nos
vamos deparando na vida não são imutáveis, não são eternas, pelo menos só o
serão se nós aceitarmos que o são. Segundo um Guru Indiano, há duas coisas que
nunca devemos fazer. E, por concordar com elas, e achar que o conhecimento deve
ser partilhado, aqui vai. Primeiro, não devemos aceitar. Quando nos resignamos
perante uma situação que ocorre na nossa vida, que a aceitámos, vamos
tornar-nos preguiçosos. A aceitação leva à preguiça e deixámos de tentar.
Focámo-nos demais num ponto de vista, quando podemos e devemos ver o todo e não
nos focarmos apenas num ponto. Se olharmos para um muro branco, marcarmos um X
e focarmos a atenção nesse X, todo o resto do muro, toda a sua envolvência vai
deixar de ter importância, porque o nosso foco, interesse está apenas num ponto
quando deveríamos ver todo o muro e ainda assim veríamos o X também. Também
podemos ver a nossa vida assim focada apenas num X, ou podemos vê-la a 360º, o
que será bem mais interessante. Quando a preguiça se instala, deixamos de
tentar, deixamos de melhorar, de evoluir. E o ser Humano foi feito para evoluir
ao longo do tempo, sempre com a perspetiva da superação e adaptação ao meio
circundante. Se nos deixamos acomodar, se aceitamos o que temos deixamos de
evoluir.
Em segundo lugar, não
devemos resistir. Não no sentido de deixar de tentar, de não ser resiliente,
mas no sentido de perante um obstáculo e na falta de soluções continuarmos a
insistir numa luta que apenas nos vai tornar impotentes, nos vai enfraquecer.
Quando resistimos a algo e essa resistência não alcança os objetivos que
pretendemos, além de nos tornar mais fracos, leva à desmotivação, ao desalento.
Isto leva-nos à primeira situação que falei, ou seja, acabamos por aceitar a
situação em que nos encontramos, deixamos de ser resilientes e isso leva-nos à
preguiça, deixamo-nos acomodar e mais uma vez não alcançamos os nossos objetivos.
O que devemos fazer então?
Mudar de direção. Tal
como quando vamos a conduzir um automóvel e nos deparamos com um obstáculo
podemos três coisas. Aceitar que o obstáculo está à nossa frente e ao
aceitá-lo, não fazemos nada, somos preguiçosos e vamos na direção do obstáculo
até batermos nele, ou tentamos resistir e aceleramos na esperança que o carro
abalroe o obstáculo e o consiga passar sem nos magoarmos, ou ficamos encostados
ao obstáculo na tentativa de o derrubar, o que pode nunca vir a acontecer. A
melhor opção seria mudar de direção. Podemos virar o volante para a esquerda,
ou para a direita e mudando de direção superamos o obstáculo sem nos deixarmos
vencer por ele, sem enfraquecermos e sem perdermos a motivação para ultrapassar
os desafios futuros. Quando não podemos simplesmente mudar de direção, seja
para a direita ou para a esquerda, podemos sempre recuar, observar o obstáculo
de outra perspetiva ou encontrar outro caminho que nos leve ao lugar que
queremos. Por vezes é importante sabermos recuar para avançar. Aprender com os
erros, fazer de maneira diferente são sempre melhores opções do que
simplesmente aceitar ou resistir a um problema na nossa vida. Mas para sabermos
qual a direção a seguir temos de desenvolver a nossa consciência. A consciência
do que somos, de quem somos, do que queremos e para onde queremos ir. Para além
de desenvolvermos uma consciência do nosso eu interior, que nos auxilia a ter
uma melhor perceção do que nos rodeia, vamos ser mais capazes de identificar o
que nos move na vida. É muito importante ter bem presente na nossa vida o que
nos faz sair da cama de manhã. Ter uma motivação na vida, algo que te leva a
alcançar metas e objetivos. É esta tomada de consciência para as nossas
motivações, que nos permite libertar de amarras e seguir em frente. Mas, para o
podermos fazer temos de seguir as nossas convicções sem nos deixarmos levar por
opiniões dos outros, que por vezes querem ser eles a viver a nossa vida. Quando
permitimos que outros interfiram nas nossas motivações, naquilo que nos move,
ficamos parados sem podermos evoluir. Vou dar um exemplo do que disse até
agora. Muito ouvimos falar das pessoas que estão insatisfeitas com o seu
trabalho, relação amorosa, vida pessoal ou financeira. Ouvimos o seu
pessimismo, os seus desabafos, as suas intenções do que gostaria de fazer, sem
no entanto fazer algo para esse seu obstáculo. O que acontece normalmente são
duas coisas. A Aceitação, ou seja, a instalação da preguiça, a resignação
perante a situação em que se está, uma fase em que apesar de não se estar bem,
aceitamos que ficaremos sempre assim. Por outro lado, outros estão na fase da
Resistência. Tentam resistir contra todo e contra todos, pensando que a
situação em que se encontram alguma vez há-de mudar, mesmo que estes apesar da
resistência que estão a realizar os enfraqueça, os adoeça, os torne frágeis.
Acontece muito isto com as relações amorosas, em que uma ou ambas as partes
tentam resistir, seja ao fim de um namoro ou de casamento, ou à violência
física ou psicológica. Quanto mais resistem mais impotentes ficarão sem que
encontrem a solução. Mas, se tentassem mudar de direção, talvez vissem os seus
problemas resolvidos. Mudar de direção significa olharmos para dentro de nós em
primeiro lugar. Ver o que precisamos de mudar. Muitas vezes ao conseguirmos
identificar o que precisamos de mudar no nosso interior, vamos assistir às
mudanças que queremos no exterior, em tudo ao nosso redor. Esta mudança de
direção significa fazer de maneira diferente. Temos de pensar o que fizemos até
agora, mas acima de tudo, saber o que ainda não fizemos. È necessário ver as
situações a 360º, não nos focarmos apenas no problema, mas sim na solução, pois
o problema já existe e não vai desaparecer sozinho. Quando temos um trabalho,
que achamos que não gostamos, isto acontece porque estamos habituados a ver
apenas o que este tem de mau. Mas não será assim com toda a gente. Então o que
farão algumas pessoas quanto a isto? Elas não aceitam nem resistem a esta
situação, mudam de direção. Apenas passam a ver os aspetos positivos do seu
trabalho, pois os negativos nunca vão desaparecer, por mais que queiram
aceitá-los ou resistir a eles. Quando colocamos os aspetos positivos acima dos
aspetos negativos, estes passam a ser dominantes e serão estes que passarão a
influenciar a nossa vida. Mesmo que alguém queira mudar de trabalho é sempre
mais fácil quando nos sentimos bem, quando temos energia e motivação. Ao
entrarmos neste estado de consciência tudo é possível. Em todos os ouros
aspetos da vida é igual. Faz de maneira diferente, muda de direção e vê a
mudança acontecer.